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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Por que gays incomodam tanto?


Por que os gays são rotineiramente agredidos?
Por que viraram alvo do debate político, Judas da nova era?
Por que tantos se interessam em reprimir os desejos de um e se preocupam com o que ele faz com o corpo?
Por que tantos debateram se estão certas a união, a felicidade ou o amor entre pessoas do mesmo sexo?
Em Quanto Mais Quente Melhor, de 1959, o personagem vestido de mulher de Tony Curtis  pergunta: “Por que um cara se casaria com outro?”
“Por segurança”, responde o de Jack Lemmon.
Vito Russo, cinéfilo ativista da Gay Activists Alliance, a primeira organização a defender os direitos dos homossexuais, na época em que iam presos, organizava concorridas sessões de cinema em Nova York.
Mostrava como a indústria estereotipava e driblava a censura para narrar nas entrelinhas de filmes “noir” dramas homossexuais.
No livro The Celluloid Closed, ele prova que até os anos 1930 a sociedade convivia com os homossexuais do cinema. Um filme experimental de Thomas Edison, de 1895, mostra dois homens dançando, enquanto um terceiro toca violino. Em clássicos do cinema mudo, como Algie, the Miner (1912), A Florida Enchantment(1914), The Soilers (1923), homens dançam com homens, mulheres dançam com mulheres, trocam beijos, carinhos, o homossexual é retratado bem ou mal, mas é. Para alguns, era um clichê, que denegria a classe. Para outros, a visibilidade era fundamental para a afirmação gay.
Marlene Dietrich canta de fraque e cartola no filme Morocco (1936) e é aplaudida num night club ao beijar outra mulher.
Até em Chaplin, em Behind The Screen (1916), a homossexualidade é retratada: um homem beija uma mulher vestida de homem.
No filme Call Her Savage (1932), pela primeira vez um bar gay serve de cenário.
Veio Will Hays, que tentou uma fracassada carreira política, se tornou presidente da associação de produtores e distribuidores de cinema, Motion Picture Producers and Distributors of America, e lançou o Código do Produtor, que proibia o beijo de boca aberta, nu, “obscenidades”, que ganhou força em 1934, quando a Igreja Católica e fundamentalistas protestantes organizaram boicote aos filmes que não o seguissem.
A autocensura baixou em Hollywood. O censor contratado Joseph Breen reescreveu roteiros e o personagem gays. Há 80 anos. “Pessoas decentes não querem ver esse tipo de personagem”, dizia. Se te é estranho casais apaixonados em filmes antigos se beijarem de boca fechada, é resultado do poder do conhecido Código Hays.
Cenas lésbicas passavam se elas fossem retratadas como vilãs. Homossexuais, como assassinos e psicopatas.
Todos tinham um fim trágico. Muita culpa os aterrorizava.
Personagens gays de autores teatrais gays, como Tennenssee Williams, quando adaptados para o cinema, viravam alcoólatras atormentados.
Sutilmente, roteiristas e diretores desenvolveram personagens gays sem a censura perceber. Hitchcock os exibiu em Festim Diabólico e Psicose, Nicolas Ray, emJuventude Transviada.
O diretor William Wyler convenceu o roteirista Gore Vidal que Ben Hur era um drama gay numa Roma em que ser gay era comum.
“Só eu e o diretor sabíamos que se tratava de um amor gay. Se Charlton Heston soubesse, sairia do filme”, contou Vidal no documentário baseado no livro de Vito e curiosamente produzido por Hugh Hefner, fundador da Playboy.
Por que o homossexualismo incomoda tanto?
Por que tem gente que acha uma patologia um homem gostar de outro, e propõe a cura em clínicas psicológicas, “de preferência, bem longe” (Levi Fidelix)?
Por que uma candidata à Presidência retirou do seu programa o apoio ao casamento gay, e outros se recusam a incluir homofobia na lista de crimes?
O personagem homossexual Barton Scully (Beau Bridges) da série Masters of Sex,diretor clínico de um hospital e casado com uma mulher, vai fazer tratamento para curar seu desejo por homens, que inclui eletrochoque, “o mais eficaz da época”.
A série, que se passa na virada dos anos 1950 para 1960, retrata o drama de um homem que não aceita a sua homossexualidade e vai buscar por conta própria um tratamento que Fidelix, se eleito, oferecerá à população.
Será que é porque o homossexualismo não se explica pelos pilares do pensamento ocidental- materialismo histórico, Freud, darwinismo social-, não é genético, não é doença, não tem cura, contesta a ciência, a religião, reafirma o livre desejo, a possibilidade múltipla de se criar uma família, de manter laços afetivos, eróticos, porque gays contam que desde menino sabem que são gays, será que porque, numa família de vários filhos, um pode ser gay, sem nenhuma explicação?
Nasceu assim, não está no DNA, não é resultado de traumas infantis, não é “culpa” dos pais, do ambiente, da escola, de rigor moral, ou liberdade em excesso, independe do credo, classe social, raça, cor, origem, ascendência, não existem mais gays num país que em outro, numa região temperada ou tropical, na praia ou na montanha, não é a origem italiana, ou francesa, não existem mais ou menos gays entre judeus, católicos, negros, mulatos, pardos, brancos, altos, baixos, morenos, loiros, magros, gordos, durante a lua cheia.
Talvez por não terem uma explicação empírica ou transcendental, eles incomodam a tantos, pois desqualificam verdades e colocam em cheque teorias das quais uma Nação precisa para seguir e ter um sentido de ordem, conjunto e progresso.
Só tenho que pedir desculpas à comunidade gay. E agradecer sempre a insistência da sua militância por direitos iguais aos diferentes.
Graças a ela, nós, deficientes, que, com gays, comunistas, ciganos e judeus, fomos exterminados em campos de concentração nazistas, obtivemos direitos na esteira da luta.
Obrigado pela luta contra a Aids, por nos terem alertado da contaminação de bancos de sangue, que matou meu amigo hemofílico Henfil, e exigido da comunidade científica um tratamento para a doença.
Obrigado Rimbaud, por propor uma nova poesia, Artaud, um novo teatro, Proust, um novo romance, Duchamp, questionar o papel da artista, ao se vestir de mulher, Andy Warhol, pela arte contemporânea.
Obrigado Billie Holiday, que gostava de ser chamada de “William”, Greta Garbo, Isadora Duncan, Josephine Baker, Janis, Orlando de Virginia Woolf, Adrienne Monnier, primeira editora de Ulysses, ao casal Gertrude Stein e Alice Toklas, Bishop e Lota, a Amelia Earhart, primeira mulher a atravessar o Atlântico.
Perdão pela intolerância que os(as) agride.

Fonte: Estadão /Autor: MARCELO RUBENS PAIVA

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

"O aparelho excretor não reproduz"

Não é preciso ser gay para entender que todos nós temos direitos a constituir uma família seja ela de uma pessoa e um cachorro, de dois homens ou mulheres que se amam. Família não significa apenas o laço genético que uni pessoas, para ser uma família basta que exista amor, fidelidade, lealdade e companheirismo ao menos eu penso assim.

Ontem o presidenciável Levy Fidelix foi muito infeliz em sua colocação sobre a união homoafetiva no debate exibido pela Rede Record citando que "o aparelho excretor não reproduz", ou seja, para ele só é possível defender uma família composta para reproduzir-se caso contrário não existe família. Penso que os casais tradicionais (sic) que possuem uma limitação ou a impossibilidade de gerar filhos também tenham se ofendido porque a partir do momento em que não podem colocar uma criança no mundo não são considerados essa pseudo família que ele defende tanto, mas ainda possuem direitos de ser tratados como tal perante a lei.

É um pouco quanto complicado compreender a visão de uma pessoa que quer representar uma nação expor publicamente seu repudio aos semelhantes. Fidelix ainda ressalta que se houver um “incentivo” para que tenhamos direitos igualitários o Brasil deixará de crescer, ou seja, estamos aqui simplesmente para procriar (mente arcaica não?).

Levy não passa de mais um babaca que não compreende que há uma vasta diversidade além das suas paredes. Que o mundo não é resumido em coisa de homem e coisa de mulher ou rosa é de menina e azul é de menino. Não quero incentivar você a votar em #Luciana50 ou seja lá quem for, mas vamos abrir os olhos e evitar de jogar o voto fora em pessoas tais como esse senhor que nos recrimina e nos vê não como humanos e sim coisa. Gay também é gente.

domingo, 28 de setembro de 2014

“Faço parte da safra de pais que soube tratar com naturalidade a questão” Marcelo Tas sobre filho transexual

Marcelo Tas falou pela primeira vez sobre a relação com o filho transexual. Em entrevista à revista Crescer de outubro, o apresentador contou como foi ver Luiza se transformar em Luc, hoje com 25 anos, feliz e casado com outro transexual.

Na entrevista, Tas destaca que as preferências do filho nunca estiveram acima da relação dos dois.

— Uma novidade desse tamanho sempre é surpreendente. Antes de tudo, devemos admitir que independente da orientação — hetero, homo, trans, bi... — a sexualidade é um assunto que desafia e intriga os seres humanos desde que o mundo é mundo. Por outro lado, creio que eu faça parte talvez de uma primeira safra de pais que souberam acolher e tratar com mais naturalidade a questão de forma transparente.

Luc se assumiu bissexual aos 15 anos. Com 22, virou transexual. Hoje, mora nos Estados Unidos e trabalha como advogado. O jovem revela que nunca se sentiu desamparado em casa.

— Sou muito sortudo. A realidade é que minha família sempre me apoiou em tudo. Eu contei que era bi quando ainda era muito novo, e eles nem piscaram. Quanto a eu ser trans, acredito que foi um pouco mais difícil, tanto para mim quanto para eles. (...) Hoje em dia, eles sempre usam os pronomes certos para se referir a mim (ele/dele, etc.) e meu nome (Luc).

O tempo todo, pai e filho falam um do outro com admiração e respeito. Tas fala que o filho sempre foi muito decidido.

— Lembro que no casamento do meu irmão, Luc tinha uns 2 ou 3 anos e devia ser a “dama” de honra. Deu um escândalo tão grande porque não queria botar o vestido. Foi de fraldas até a cerimônia e só resolveu vestir a roupa já no altar. Acabou curtindo a experiência. Não estou dizendo que ali já pressentia uma questão de gênero, mas sim que via nele um ser bastante decidido sobre o que queria ou não fazer.

Tas também é pai de Miguel e Clarice, de 13 e 9 anos, frutos do casamento com a atriz Bel Kowarick. Segundo o apresentador, as crianças foram exemplares ao saberem da decisão do irmão.

— Miguel e Clarice nos deram uma aula de como conduzir o assunto. Para eles foi algo natural. Lembro que Bel e eu criamos uma atmosfera solene para comunicar o fato dentro de casa. Clarice na hora rebateu que ela sempre percebeu que o Luc não gostava de usar roupas femininas e que tinha certeza de que ele estava fazendo a coisa certa. E ela concluiu com uma tirada incrível: “E a gente só tem que fazer uma coisa, passar a chamar ela de ele. Só isso!”. Eu fico surpreso e até esperançoso de ver como as crianças nos ensinam a tratar assuntos aparentemente espinhosos e complicados de uma forma generosa e elevada.

O apresentador finaliza a entrevista destacando que os pais nunca devem perder o foco do relacionamento familiar.

— As questões de sexualidade e gênero são importantes. Mas não são mais importantes do que o amor incondicional que devemos manter na nossa família. Este sim é o assunto mais importante da nossa vida.

Fonte: R7

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Manifesto contra os talibãs gaudérios de Livramento

Santana do Livramento é uma bela cidade.
Gosto ainda mais dela por ser a minha cidade. As lembranças de infância dão aos lugares tonalidades especiais.
Guardo de Livramento a imagem de uma cidade cosmopolita, onde se fala português e espanhol, aberta às influência salutares de Porto Alegre, de Montevidéu e até de Buenos Aires. A necessidade, porém, de afirmar uma identidade contra marés e minuanos gelados, nestas décadas tristes de decadência do latifúndio, da pecuária extensiva e da cultura da lã, tem levado parte da cidade a cultuar um tradicionalismo retrógrado, preconceituoso e conservador.
O atentado contra o CTG Sentinela do Planalto, onde deveria se realizar nesta sexta-feira, 13 de setembro, um casamento coletivo, incluindo a união de duas mulheres, mancha a imagem da cidade. Os talibãs santanenses entraram em ação em defesa do atraso, da discriminação, da homofobia e da rejeição ao outro.
A aceitação da homossexualidade não é mais uma questão de tolerância, de generosidade ou de concessão. É um direito à diferença, à singularidade, à inclinação de cada um. O tradicionalismo gaúcho não tem o direito de defender princípios ou valorizar tradições que se oponham à lei a ao direito natural das pessoas. Se casamentos heterossexuais podem acontecer num CTG, por que casamentos homossexuais não poderiam? Boa parte dos credos comportamentais do tradicionalismo gaúcho está sentada nos pelegos do preconceito. É puro machismo.
O Rio Grande do Sul entrou no noticiário da mídia nacional nos últimos dias por razões lamentáveis: racismo e homofobia. A Revolução Farroupilha, homenageada a cada ano, traiu, no massacre de Porongos, os negros que por ela lutaram.
Talvez um dia apareça um historiador para descobrir documentos sobre a homossexualidade nos tempos da guerra dos farrapos. A homossexualidade existe desde sempre e em todos os lugares. Aos poucos, os talibãs gaudérios perderão o campinho que dominam e cercam com o arame farpado do conservadorismo e do tradicionalismo anacrônico. O atentado talibã contra o CTC de Santana do Livramento ficará no história com um dos últimos atos da intolerância disfarçada de preservação de sagrados ideias do passado. O MTG cumpre o papel do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, movimento fundamentalista que tenta impor aos seus contemporâneos valores soterrados pelo tempo e pelas lutas contra a barbárie moralista.
Abaixo a burca gaudéria.
Abaixo a intolerância de bombacha.
Abaixo a Ku Klux Klan dos estádios de futebol.
Por um gauchismo pós-moderno, tolerante, aberto na estética musical e no comportamento, antirracista e anti-homofóbico.
Incêndio atingiu cerca de 40% de CTG que sediaria casamento gay

Fonte: Correio do povo / Autor : Juremir Machado da Silva 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Jovem gay grava o momento em que é expulso de casa por ser homossexual



No começo a família de Daniel Pierce, de 20 anos, parecia aceitar quando ele revelou ser gay, mas nove meses depois eles o expulsariam de casa, na cidade de Kennesaw, Estado da Geórgia.
Quando chegou em casa e notou o clima pesado e todos esperando por ele, Daniel já previa o que estava para acontecer e por isso decidiu gravar tudo.
O vídeo foi publicado na mesma noite em que Daniel brigou com a família e foi expulso de casa. O motivo, segundo ele, era que “Queria evitar que isso ocorresse com outras pessoas”, ele ainda explica “Se um pai assistir e mudar a forma de abordar seu filho, já terá valido a pena.”
O vídeo original  já recebeu quase 6 milhões de views, além de muitas mensagens de apoio.

Os Homoafetivos de hoje e as Bichas de ontem

Neste artigo pretendo problematizar a forma como o “mundo gay” vivencia sua sexualidade atualmente em comparação com o modo de vida dos homossexuais (termo usado na época) das décadas de 60, 70 e 80. O desafio consiste em evidenciar essas diferenciações, traçar um paralelo entre homossexualidade e estigma social, levantando a questão da (sobre)vivência na margem¹ da sociedade.
Conversando com gays que viveram intensamente as décadas de 60, 70, 80 em Porto Alegre, um discurso recorrente nestes personagens é de que naquela época era muito mais prazeroso viver a homossexualidade. Dizem que era fácil e até romântico conhecer garotos que circulavam por locais “específicos”, onde o centro da cidade era território do todos, inclusive o Cais da Mauá com seus estivadores, e sem aquele muro horrendo era local de encontros e flertes. Não havia motéis que aceitavam dois homens e eram poucas as opções para encontros íntimos, mas as festas aconteciam sempre na casa de alguma amiga. Umas mais atinadas e com acues(dinheiro) tinham AP no centro para este fim, ou seja, fazer festas e orgias. A clandestinidade exigia que estes sujeitos tivessem seus alvos bem mais delimitados e certeiros dentro da arquitetura social da cidade e usando os códigos de caça da época.
Sabemos também que naquelas décadas o preconceito era muito maior e a exclusão também, e aí poderíamos pensar que ante esta afirmação, teríamos uma contradição em relação às declarações das bichas que falam com saudade e até nostalgia daquela época. Pois é, isto nos remete a pensar de como aqueles homossexuais puderam, mesmo numa maior clandestinidade e margem, encontrar arranjos e desfrutar desta situação. Na realidade a clandestinidade fazia com que a sociedade invisibilizasse estes sujeitos, o que os tornavam anônimos nos espaços públicos. Somente eles e seus pares sabiam o que estava acontecendo e é neste cenário que as histórias aconteciam.
A necessidade de busca de realização de nossos desejos e impulsos sexuais fazem com que tenhamos múltiplas estratégias de sobrevivência. Isto é atemporal, está em todos os momentos históricos. Buscar esta realização e negociá-la com nossas condições morais, existências, medos, nos coloca em situações extremamente desafiadoras. A margem não necessariamente é fator de limitação de nossos desejos, até em muitos casos, pode ser um fator de excitação e de enriquecimento de nossa condição existencial. Talvez, seja por isto que a grande maioria da bichas que viveram as décadas passadas, tavez de forma inconsciente tenham tanta certeza em suas afirmações de que naquele contexto era melhor viver a sua sexualidade.
Relatam que na época os rapazes, entre eles, muitos que serviam o quartel na Andradas, vinham até a Praça da Alfândega que na época era referencia social na cidade e ali em bares já mapeados se encontravam com as bichas, bebiam, jogavam conversa fora e depois saiam para encontros em locais mais íntimos. Contam as bichas mais tiranas que os bofes tinham namoradas, mas que não podiam transar com elas devido às regras morais da época. Isto fazia com que eles estivessem mais a disposição para encontros sexuais. Também relatam que davam algum presente pros bofes. É claro que estes presentes não significava somente um agrado, mas no imaginário deles, reafirmavam as diferenças dos papéis sexuais envolvidos nestas relações, sem comprometimento de sua masculinidade.
Neste universo, podemos pensar que a metade de nosso prazer, fetiche está em nossa capacidade de imaginação e o resto está no corpo do bofe…
Com as transformações que vieram já na década de 90 com o surgimento de um movimento organizado, visibilidade, conquista de direitos destes sujeitos emerge também uma nova lógica de espaço urbano, onde o mercado vai se adequando as novas exigências e nichos.
O cenário e a forma de viver a homossexualidade tiveram um impacto muito grande nesse período de transição, e na própria arquitetura da cidade. Os guetos vão perdendo seu espaço, como locais de encontro e referência política para estes sujeitos, um espaço de construção identitária que hoje já está comprometido no novo cenário que está posto. Sem falar nas conquistas de espaços com visibilidade pública das paradas, pela mídia que já reconhece a legitimidade destes sujeitos e, é claro atrelá-los ao consumo e ao mercado “sem sexo, sem promiscuidade”, higienizado. Construiu-se no imaginário da sociedade e dos próprios Gays o rompimento da figura do homossexual marginal, perigoso de antes e emergiu a figura do Gay urbano e de bom gosto.
A cidade já não é mais recortada pelos guetos, onde os frequentadores entravam rapidamente para não serem percebidos.  Hoje esta convivência ocupa outros lugares nos quais o público é mais miscigenado e plural, nos quais estes novos personagens que já não tem a referencia de décadas passadas. A lógica que ocupa tais espaços é a construção de um lugar para gay classe média, moderno, assimilado e padronizado dentro de uma nova urbanidade. Já não convivemos com as bichas loucas que antes faziam parte do cenário marginal, que não se adaptavam a esta lógica assimilada por padrões heterossexuais. Estas bichas loucas estavam sempre preparadas para dar respostas a qualquer situação de exclusão. Aprenderam com sua própria experiência a se posicionar e reagir a ataques que podiam vir de qualquer local e momento. Já não existe mais espaço para asloucas, bafonas. É bom registrar que as travestis ainda estão nesta margem, apesar dos avanços conquistados.
A internet colocou outros personagens, além dos gays higienizados neste universo e deixou as relações ainda mais facilitadas através de encontros furtivos e até arranjos maritais. Hoje já não temos mais “improvisações sexuais”, tudo já está muito claro e mapeado. O prazer é combinado por clique em celulares via aplicativos específicos e via satélite. As imagens e o bate papo dão a tônica da pegação, que se seguirá ou não.
Mas outro ponto fundamental neste debate nos remete a pensar as formas de afeto que as bichas procuram entre a lógica do prazer fortuito e o prazer legitimado, romantizado e possibilitado por esta nova conjuntura política. Tendo a pensar que esta adaptação conjugalidade nos moldes institucionais responde em parte a necessidade de legitimidade social e sexual. Pelo que vejo é uma procura que não encontra respostas, e que as negociações acabam criando relações funcionais para não dizer artificiais. Tudo para dar resposta a uma condição existencial pré-estabelecida, e que tem como norma e referência a heterossexualidade, que também não consegue responder as exigências sexuais e sociais.
Neste contexto é que surgiu o termo homoafetivo. Enquanto as bichas desajustadas estão à procura de prazer fortuito na margem, nos bancos de praças, parques, esquinas e ruas, as outras estão atormentadas por uma relação que lhes garanta prazer, segurança, estabilidade emocional e principalmente legitimação social. Em qualquer uma das situações postas, o preço a se pagar é sempre relativo ás exigências pessoais e sociais de cada sujeito, afinal somos produto da cultura, como bem dito pela sociologia e antropologia.
Por outro lado, sabendo que somos e seremos por muito tempo sujeitos desviantes, mesmo os assimilados, acredito que o prazer na margem possibilita a construção de um sujeito mais dono de si, autônomo e independente, na medida em que percebe o universo social e político da exclusão e dentro desta realidade consegue negociar, superar e enfrentar os dilemas existências, tendo em sua vivência sexual e social um prazer mais “real” e autentico, inclusive com a possibilidade de superar a síndrome da vitimização. O sujeito marginal tende a ter uma relação mais transparente e desafiadora consigo mesmo e com a sociedade.
Pois bem, neste processo de “conquistas” as amigas saudosistas, irenes, que já passaram dos 60, insistem em afirmar que hoje não existe mais glamour, reclamam que já não tem festas e bailes onde elas possam ir montadas, sentar numa mesa com toalha de tafetá, pedir um bom otim, (bebida de álcool) se sentir poderosas, e de preferência acompanhadas com um belo bofe fazendo a linha falso romântico. Ainda reclamam que as gays de hoje não sabem o que é bom, nem sabem se comportar em ambientes finos. Bom, o que resta, então, é ver como as novas gerações vão se posicionar frente a este novo mundo.
¹ – Quando uso a palavra margem, me refiro à situação de exclusão que pessoas vivem na sociedade a partir de sua condição de gênero, classe social, cor. A ideia de margem neste sentido está ligada à possibilidade destes sujeitos olharem para a cidade a partir do local social a qual vivem. Neste contexto há uma possibilidade de arranjos sociais de sobrevivência. Isto pode, para muitos, ser um fator de ganho existencial.

Por Célio Golin
Fonte: Sul21

segunda-feira, 14 de julho de 2014

X-Men e sua mensagem sobre o preconceito




X-Men e sua mensagem sobre o preconceito

Neste final de semana que passou eu assisti com meu namorado aos filmes da série X-men e é claro não há  como assistir a história e  não relaciona-la com o nosso dia-a-dia. Não eu não sei ler mentes muito menos lançar raios ou levantar objetos como poder da mente e também não conheço ninguém que o faça, mas bem que queria.
Penso que a grande mensagem que a série trás e talvez passe a despercebida por muitos seja a da luta pela igualdade. Os mutantes discípulos de Charles Xavier batalham para que um dia possam ser considerados normais e aceitos, lutam para que os outros os vejam como semelhante e para que o paradigma de anormalidade seja quebrado.  De um filme a outro é possível grifar trechos onde há um discurso que reforça o essa luta e preconceito. 

“- Os mutantes são perigosos?- Receio que seja uma pergunta muito injusta senador Kelly, a pessoa errada atrás de um volante de um carro pode ser perigosa.-Ora, mas damos licença para as pessoas dirigir. -É, mas não para viver. Senador é um fato que os mutantes que se apresentaram e se revelaram publicamente encontraram o medo e a hostilidade e até a violência.” Robert Kelly em dialogo com Jean Grey - X-Men o filme.

"Sabe fora do meu circo às pessoas tinham medo de mim, mas eu não tinha ódio delas, tinha pena. Você sabe por quê? Porque a maioria das pessoas desse mundo jamais verá além do que seus olhos podem ver" Noturno - X-Men II

“Ridículo, não há cura para a nossa mutação. Desde quando viramos doença?” Tempestade – X-Men O confronto final.

“Esses tais mutantes são pessoas iguais a nós o problema deles não passa de uma doença uma disfunção da atividade celular, mas eu estou aqui hoje para dizer a vocês que há esperança” Discurso de apresentação da cura para a mutação – X-Men O confronto final.



Homossexualidade:


No segundo filme da série quando a personagem Bobby (Homem de gelo) retorna a sua casa acompanhado de outros mutantes e resolve comunicar a seus pais e irmão sobre sua mutação é notória a relação que é feita com um suposto relato homossexual. É como se ele estivesse contando sobre sua condição sexual e não sobre as suas habilidades “meta-humanas”.  Neste mesmo episódio sua mãe até cogitada uma suposta opção de escolha do filho em não ser como é.  Lembro também a vocês que no filme anterior o Senador Kelly também faz uma critica a mutantes citando que os mesmos não deveriam ter um contato social com crianças, para não coloca-las em risco ou influir de certa forma. 


Mensagem Política 


A mensagem política dos filmes dá série é ótima, mostra que até mesmo pessoas de uma mesma classe podem ter visões diferentes sobre determinados fatos, mas que em sua raiz elas podem continuar ligadas por uma luta social. Um exemplo pratico seria a aliança de Magneto com Xavier em “Dias de um futuro esquecido” onde para não extinguir sua espécie juntam-se na tentativa de restaurar o passado e garantir o futuro de todos, humanos e mutantes.
Relacionando rapidamente o terceiro filme com o nosso querido Brasil, os políticos deste longa em especial resolveram tomar medidas drásticas e trabalharam em uma cura tratando os diferentes a si como anormais e doentes. Nos últimos anos em nosso país alguns políticos de bancadas religiosas e conservadoras também tentaram por meio da PEC 234 aplicar ou legalizar o tratamento psicológico da homossexualidade, mas não deu certo por hora.


 “O PDC (Projeto de Decreto Legislativo) 234/2011 sustava a resolução do Conselho de Psicologia que impede o tratamento para os homossexuais e pune o psicólogo que fizer declarações homofóbicas.O PDC foi arquivado, entretanto, segundo o Regimento Interno da Câmara dos deputados a proposta não poderá ser mais reapresentada neste ano, mas pode voltar no próximo ano por iniciativa de qualquer deputado.” Em revista.net


É bom ressaltar também a inserção do Professor Hank' McCoy como um representante dos mutantes no governo dos E.U.A (fictício)  que faz a apologia de que todos nós deveríamos ser representados na casa dos poderes e tomadas decisões do Estado, independente de nossas  diferenças raciais, sexuais, religiosas ou de espécies (neste caso).

Conclusão


Mesmo de onde não se espera há uma mensagem que pode elevar a nossa moral. Os mutantes talvez não tenham conseguido logo de cara o respeito merecido, mas nunca desistiram de lutar por seus direitos. Jean, McCoy, Ororo e outros sempre estiveram dispostos a dar à cara a tapamesmo que por muitas vezes desacreditando em si mesmos eles nunca desistiram ou renegaram sua causa. Outros semelhantes a Vampira por medo ou pelo desejo de ser aceitos escondem-se e até mesmo vão à busca de supostas curas para o que muitas vezes não é um problema. Nem todos temos os mesmos pensamentos e vemos o mundo da mesma maneira, mas todos almejamos libertar-nos de nossos fantasmas. 


Beijinho no core!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O problema do gay


A internet e o Facebook são duas ferramentas que casaram  muito bem entre si.  Leonardo Marion é um dos nossos  membros mais produtivos  do grupo do face e  recentemente ele  publicou o texto de Nathalie Vassalo chamado “O problema do gay” e digo a vocês meus caros leitores  o texto é magnifico e eu tive de traze-lo para dividir com vocês. É um artigo de opinião simples, mas que vai abrir a sua mente sobre aceitação e tolerância.

O problema do gay

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"O Problema do gay" - começava minha mãe, "é a necessidade que ele tem de ser aplaudido". Estávamos no nosso natal-de-nós-duas do ano passado e conversávamos sobre tolerância. Bom, essa é a minha versão - na de minha mãe, conversávamos sobre essa história de "gay querer demais".
Este artigo é dedicado pra quem diz aceitar e respeitar homossexualidade e ainda se contorce ao enxergar um beijo gay; pra quem liga pra perguntar "mas é mesmo necessário fazer propaganda do relacionamento homossexual no Facebook?"; pro famoso e absurdo "não tenho problema com gay, mas precisa beijar na rua?!"; pros que insistem em se referir a namorados e namoradas de casais homossexuais como"amigo" ou "amiga". E também pro pessoal gay que senta e assiste isso tudo sem dizer nada, permitindo e alimentando tal significante limitação social. Isso é o pouco do que tenho a dizer sobre essa coisa de "eu aceito, mas agora esconde".
Tenho certeza que a maioria dos gays tem histórias pra contar quando o assunto é aceitação. Digo, como brincadeira, que não saí do armário - mas chutei a porta e saí dançando (ao som de Cássia Eller e Ana Carolina). Depois que o choque passou, a família foi, pouco a pouco, me presenteando com discursos de "eu aceito" - suas atitudes, porém, expressavam o oposto. A irmã de meu pai, por exemplo, me escreveu logo depois que tornei público meu relacionamento em mídia social. Com o título"ridículo", a mensagem começava com "eu aceito e não tenho o menor preconceito" e terminava no "por favor, tire isso da internet". A imagem de perfil da tia era ela e o marido, os dois sorridentes. A foto do casal continuava a aparecer na minha lista de mensagens: "você está me peitando", ela brigava. E só piorou: me atribuiu tantos adjetivos - patética, destruidora de família, rebelde - só não chamou de bonita. O importante da história foi a ironia de cada uma de suas mensagens começar com uma versão ou outra de "eu lhe aceito, mas..."
Essa ignorância semântica é um absurdo que só dá problema. As pessoas falam, com frequência, "eu aceito" quando o que querem dizer é "eu (quase) tolero". Ser tolerante significa aturar algo de que você não gosta muito da idéia, algo com que você não concorda ou que você associa com uns sentimentos negativos. O gay não quer demais - só pede pra ser aceito. Dizer "eu aceito e só quero que seja feliz" seguido de um "por que você precisa fazer propaganda da relação homossexual?" não é aceitação. Fugir para não falar sobre o namorado do seu filho pra vizinha não é aceitação. Apresentar a namorada da sua sobrinha como amiga não é aceitação. Aceitação é não ver nada de errado ali. Aceitar é ter como verdade, como normal, como apropriado; é compreender e até mesmo receber de braços abertos. Confundir essas duas palavras, além de ignorante, estraçalha com a paz da gente.
A verdade é que sempre há um processo - e não é fácil pra ninguém. Resolvi trazer a família inteira e parafrasear minha prima, quem uma vez escreveu: "o clichê [diz] que 'a geração dos nossos pais não se preparou para isso'. Mas a verdade é que não nascemos preparados para nada". É compreensível (e maravilhosamente consciente) dizer "eu tolero; ainda não aceito, mas me dê mais tempo - estou me esforçando".
"Eu poderia te responder com o clichê de que "a geração dos nossos pais não se preparou para isso". Mas a verdade é que não nascemos preparados para nada. Nobody does. Ao longo da vida aprendemos com as experiências acumuladas na "rua", somadas à educação que recebemos em casa. Por educação quero dizer: noção de família, limites, respeito, espaço, e de como compartilhar e vivenciar o amor. Não estamos preparados, nos preparamos diariamente. "Como nossos pais", cantaria Elis Regina."
"...se há preconceito no mundo - e isso é uma neurose dos pais quando os filhos saem do armário - o pior preconceito está dentro de casa. Continuo batendo na tecla de que quem [coloca à margem] o filho(a) gay - são os próprios pais."
- Thatiana Rei
Não é justo esperar imediata aceitação de ninguém. Pais criam expectativas, além de terem suas opiniões e conceitos formados - quebrar isso tudo numa frase só pode machucar. Não só há sempre um processo, mas um processo, talvez, bem difícil - e ter a ciência de onde estamos é fundamentalmente importante pra conseguir mover na direção certa e chegar a algum lugar.
Se você tem um filho - ou uma filha - e parou de perguntar sobre seus planos de casamento ou filhos uma vez que descobriu sobre sua homossexualidade; se ouvir perguntas como "e sua filha, querida, está namorando?" lhe causam extremo desconforto por não querer revelar que sua menina namora meninas; se você apresenta o namorado ou namorada gay como amigo, se é contra qualquer exposição gay em mídia social, se prega que orientação sexual é para ser guardada a sete chaves, esse texto é pra você: Não, você não aceita a homossexualidade ainda. Mas não tem problema; estamos todos juntos - no fundo mesmo, tudo que a gente quer é entender e se sentir compreendido, aceitar e ser aceito. Vamos ser bregas, falar baboseiras de amor, prometer respeito e dar as mãos ao decorrer do processo. Eu vou tentar o máximo compreender suas limitações; podemos começar com você perguntando se eu e minha namorada pretendemos ter filhos. Sim! - lhe respondo. E continuo: o que você acha do nome Graça pra nossa primeira menina?
 

terça-feira, 18 de março de 2014

10 Coisas para um Gay saber antes dos 20 (Parte 1)


Ola pessoas/Nhaí bonit@s, tod@s boas!?




Hoje vamos de listinha, pois listinhas são deliciosas e não te engordam (a não ser que seja uma lista de comidas gordurosas, mas, enfim...)

E hoje nós teremos 10 informações "baaaabaaadeiras" sobre a vida gay antes dos 20, então segure esse cabelo todo trabalhado no shampoo Seda (menos o Citrus, o meu já caiu com esse) e vem!


1 - Bullying na Escola

#SOFRIDA

Aí você lê isso e pensa "Ahhh pelamordeodim molyer, tod@s sabem que a escola é penosa, sua vinhada óbvia, affem"; sim, caro homoafetivo, é um tema que ganhou a mídia nos últimos 4/5 anos, mas vejo todo o debate em torno do bullying homofóbico com um tabu que permeia e não se dissolve.
O pequeno fã das divas lá na escolinha do interior de um estado nordestino pena, oh se pena, a sociedade interiorana é uma massa critica e boba com minorias; e acho que o foco com o tópico número um é falar o óbvio: "vinhado", VAI PASSAR!

Tudo na vida passa, o sorveteiro passa, o orgasmo passa, até a mão boba passa, e se essas coisas boas passam, as ruins também, você não vai ficar para sempre preso ali ( o que me remete ao item 2).

Seja forte, não desista, não se desanime, mantenha o foco para se realizar no futuro, tudo começa na escola, encontre refúgio interior para se libertar! (Bitch, please! Daqui a pouco vou soar como Augusto Cury, SQÑ)


2 - You better work b*tch
Trabaaaalha caraleoan

Queryda, rale!

Trabalhe para alcançar teus objetivos, pois o mundo pode não querer nos respeitar por livre e espontânea vergonha na cara (afinal, como todo ser humano, não merecemos nada menos que um respeito pleno e fiel a um bem comum), mas estando em uma posição de poder as pessoas nos respeitarão por uma coisinha chamada MEDO!


Sou acadêmico do Curso de Direito, já tive 3 professores gays (eu acho, rsrsrs, pobre do meu gaydar defeituoso) até este meu 5º período; sendo que com 2 eu topava nas "buatchys" da vida "all the time", e digo, muitos podiam mimimizar pelas costas deles, mas bateu de frente  é só tiro, porrada e bomba "cazgueijuristas", acenavam com a cabeça e os chamavam de doutores (o que de fato são, rsrsrs)!


Não estou menosprezando outras carreiras, longe de mim gat@s; estou dizendo para ralar e ser O MELHOR NAQUILO QUE DECIDIR FAZER!


Se quer ser fisioterapeuta, pois faça aleijados (pode usar essa palavra nesse século produção?) andarem! Se quer ser médico, cure tod@s! Quer ser cabeleireiro? Faça as cabeças mais belas; tenha esse foco desde a escola, transforme o Bullying em matéria prima para um energia sambante que te fará escalar uma piramide social com salto 30! Rumo ao topo, rumo ao teu lugar ao sol, seus lindos e lindas!


Vivemos em um tecido social capitalista e altamente competitivo, destacar-se vai te trazer altos ganhos de estima (para sambar lindamente na cara do mundo) e de respeito, sem falar nos consequentes ganhos materiais que te levarão de um descolorante Yamá a um Blond Me, para trabalhar aquele cabelo platinado ludibriante, ofuscando os pistões do recalque crítico e homofóbico nacional! #Destroy #Samba #Aniquila



3 - Sair do armário é uma loteria, saiba onde está pondo seu pezinho ao sair de lá!
Pés fora dor armário? Apenas meu Louboutin para você...



Não quero, aqui, desencorajar ninguém a não "assumir-se" ou "declarar o que curte" ou simplesmente sentir-se livre para não esconder o namorado na figura de amigo...

Não, quem sou eu na noitchy ? para ter esse poder de dizer o tempo exato em que todos devem proceder sua saída de Narnia!?



Apenas peço cuidado, seus coloridos, cuidado para não se precipitar; acho que na vida aprendemos sempre que conquistas são feitas um degrau por vez, ou no caso, um pé de cada vez, um passo de cada vez para fora desse guarda-roupas.


Falo com base no que vivi e no que azamigues me contam; eu tive uma relativa sorte, meu pai me direcionou no que venho seguindo, "um passo de cada vez", até ter condições de me impor, sim, sobre esse cuidado foi meu pai quem me aconselhou quado falei da minha sexualidade a ele.

Outros pais não aconselharam, mas bateram! Expulsaram, verbalmente violentaram... Amigos (prfv, fazendo a linha íntimo aqui, kkkk) não creio que devemos nos sujeitar a tal tipo de agressão, nem todos nós teremos estruturas para suportar uma explosão de rejeição pela família, sim, eu sei que guardar esse "segredo" te machuca e te atormenta, mas mesmo nos confins da terra, no interiorzinho com internet discada, na lan house da esquina, nos condomínios da vida, me ouça: VOCÊ NÃO ESTA SÓ! (Agora vem aqui e me dá um abraço, rs).



Você vai saber o seu tempo, preserve-se de um conflito antes que você tenha condições de assumir altas responsabilidades, de modo direto, se quer, se acha que é o momento, para e faça o seguinte:


1 - Analise seus pais e as possíveis reações deles, tente imaginar se saberá lidar com isso.
2 - Pense em meios, se é novinho ainda, imagine como irá proceder se em último caso não te quiserem mais em casa, rejeição machuca, rasga a gente por dentro (Hmn )!
3 - Se chegou mesmo a hora de desabrochar (ui, rs) acomode seus pais em um local tranquilo, familiar a eles, para que fiquem a vontade.
4 - Seja paciente e prepare-se para a possibilidade de ver todo o seu roteiro ir por água a baixo, afinal, a menos que você seja um lord da psicologia, vidente ou amicíssimo (tipo carne e unha) dos coroas, você não adivinhará de certeza a natureza das reações deles
5 - Decepcionou-se com a reação deles? está mal? Ficou chateado e não se sente mais bem-vindo em casa? Volte ao item 2 e trabalhe para conquistar sua independência, cedo ou tarde você teria de voar seu próprio curso mesmo!

Ps. Não troque insultos com eles, isso é muito destrutivo e palavras ditas não podem ser desditas (a la auto-ajuda, rs).

4 - Cuidado com a homofobia internalizada!
#GRITAY

Queryd@am, já basta os mimimis homofóbicos dos ignorantes e extremistas religiosos, né!?

Ficar restringindo sua sexualidade é pedir para sofrer, não estou te falando que deve sair requebrando, tresjeitando (pode neologismo Bial?), forçando ser afeminado, ou, no caso das mulheres, forçando uma pose "machuda" e bruta NÃO!



É tão estúpido quem pensa que TODO gay comporta-se assim, como é estúpido quem pensa que NENHUM gay deveria comportar-se assim, moç@s, somos seres humanos (dãã), o fato de ser gay é apenas um parcela daquilo que compõe nossa identidade; somos seres tão complexos que é perda de tempo tentar criar regulamentos de como "um gay" deve se portar.

Regular as condutas é tarefa do Estado, e o Estado interfere minimamente  apenas para garantir a convivência e o bem comum (em tese e sendo bem simplista), logo, se você tem vontade, se sente que não vai TE PREJUDICAR e se não vai, objetivamente, PREJUDICAR TERCEIROS, SE JOGA!
Requebre mesmo, pule, faça quadradinho de 4, 8, noves fora 3; permita-se!

Não existe essa de "ah, fulano é uma bixa louca, deveria se dar o respeito para não sofrer preconceito", querid@s, o que é "se dar o respeito?", "se dar o respeito" é uma máxima tão boba e machista, chega a ser triste ver/ouvir/ler alguém tecendo esse tipo de comentário; não se deve criar regulações subjetivas (regulações com base em em opiniões íntimas) sobre o "dever ser" alheio, pare de se preocupar com o micro short da "colheegam" e vá procurar um peru algo para satisfazer esse poço latente e obscuro de crítica à vida alheia, u.U

E outra, sobre essa de fingir ser "hétero" para não sofrer preconceito, se quer fazer isso, faça também ué! Rsrs, parece bipolar falar isso neste parágrafo, mas como disse, somos complexos, e devemos agir conforme achamos prudente; faça o que achar que deve, mas faça por que sua alma pede, o que seu corpo anseia e o que a lei permite, o mais é nada gat@s, nada!

A mensagem que tem que ser frisada é: não imponha seu comportamento ao outro, a comunidade (não tão unida, rsrs) LGBTTI é tão rica de diversidade que, de certo modo, quanto vejo algum moço ou moça gay impor coisas bobas e homofóbicas, sinto no ar um cheiro de couro de etnocídio de uma rica cultura genuinamente gay!

5 - Seja inteligente, defenda-se!
#VRÁÁÁH!

Infelizmente não temos a previsão da homofobia como crime em nosso código penal, seja pela morosidade da massa dos ratos interesseiros dos parlamentares, seja por uma pressão de uma bancada religiosa; fica a lição, procuremos nos politizar, não te falo para se filiar a um partido, mas tenha noções do que acontece na Dark Room chamada congresso, onde tem sempre alguém f#dendo com o povo às escondidas...


Seja esperto ao votar, a morosidade por lá é culpa nossa também, que elegemos as lesmas...



Maaaas, como nem tudo é perder a entrada "vip" na balada, coisas boas têm acontecido, temos toda uma jurisprudência no judiciário nacional que se mostra disposta a igualar nossos direitos, enquanto "minoria" que carece de uma tutela (uma atenção maior) mais específica, para alcançarmos um Estado Democrático de Direito (um Estado que nos permita ter acesso a todos os direitos de cidadãos héteros, como casamento e os direitos derivados dele, e sambe de salto 75 no preconceito).


Graças ao ativismo judicial temos caminhado para um futuro promissor (apenas puxando sardinha para minha área, pois sou desses, u.U); mas existem algumas leis municipais e estaduais que já punem administrativamente (multa, grana, aqué, e mesmo suspensão ou casação de licença de funcionamento)  pessoas e estabelecimentos que pratiquem homofobia.

Sendo lindamente sincero só conheço a lei que pune homofobia do MA, meu estado, MAS FICA A DICA: bunita, acesse esse link da ABGLT - Associação Brasileira de Gays Lésbicas Travestis e Transexuais, procure seu estado ou cidade e veja se ele já possui legislação semelhante, LEIA A LEI, informe-se, defenda-se, o mais interessado é você! 



Então seu lindos e lindas, essa foi minha primeira postagem no Blog NDJ, peço que comentem, falem se gostaram, odiaram; digam os seus porquês, é muito importante para mim esse feedback, afinal, bonit@s, estarei por aqui para trazer coisinhas que acho legays para vocês (aquela rima forçada), =P



Dividi a postagem em duas partes, pois quis assim e "minhobrigue" a escrever a lista de uma vez, u.U


Continuarei essa postagem e se render crio uma série de "10 alguma coisa", ^^
Até e fiquem bem, seus NDJtenses lind@s!